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2025/26: De “Volume a Qualquer Custo” ao “Controle por Eficiência” | A Nova Lógica da Produção Global de TV e Cinema.


O cenário global de produção audiovisual em 2025 não é simplesmente menor, ele está diferente. Ao observar os relatórios da Vitrina AI – Global TV+Film Productions Review 2025 e os insights do podcast da Peachtree Media Partners, uma tese começa a emergir com clareza: o mercado está trocando volume por disciplina, e risco por previsibilidade.


Este post explora, de forma estratégica e operacional, o que os números realmente estão dizendo, e como isso impacta todos os elos da cadeia: agências, produtoras, estúdios, investidores e fornecedores de serviços (incluindo VFX, pós-produção e tecnologia).

1. Correção ou Ajuste? O Que os Números Revelam de Verdade

Produção Global em Declínio — E Não é Só Temporário


Comparando 2025 com 2024:

  • Releases globais: -14%

  • Productions globais: -16%


Essa queda não é um colapso, mas sim um ajuste típico de mercado após anos de expansão acelerada. Saímos de uma fase em que volume era objetivo, e entramos em um modelo onde disciplina e gestão de risco são prioridade.


2. A Exceção das Américas e a Reconfiguração do Mix

Enquanto a produção global cai, as Américas crescem +1% em volume, aparentemente uma boa notícia até olharmos o mix de projetos:

  • +15% de projetos Medium/Low budget

  • -15% de projetos High budget


Este não é um sinal de bonança, mas de re-precificação do risco:o mercado está preservando volume trocando “apostas grandes” (high budget) por “apostas controláveis” (mid/low budget).

Implicação: studios e produtoras estão adotando um modelo de portfólio que prioriza previsibilidade financeira e atratividade para financiamento, com menor exposição a riscos de caixa e distribuição.

3. “Disciplined Growth”: A Nova Lógica do Conteúdo

Descrevem 2025 não como recessão, mas como fase de “disciplined growth” , crescimento controlado, sustentado em IP comprovado e métricas de retenção.


Alguns dados que evidenciam isso:

  • Scripted domina globalmente

    • Américas: 79%

    • EMEA: 77%

    • APAC: 86%

Interpretação: Scripted (séries e filmes roteirizados) tem maior previsibilidade de performance em licenciamento, aquisição e retenção de audiência, o que reduz risco financeiro e atrai capital.

4. O Novo “Playbook” Regional

Américas: Mid-tier + IP Comercial


As encomendas norte-americanas estão concentradas em:

  • Speculative Fiction

  • Franquias com IP previsível

  • Livros e adaptações conhecidas


Exemplo: Netflix lidera em adaptações de livros comerciais exportáveis (espionagem, thriller, horror), mostrando onde o capital prefere apostar.

Leitura: As Américas são agora um laboratório de produção mid-budget escalável com foco em retorno pragmático.

EMEA: Identidade Local, Embalagem Global

Na Europa, a preferência é por:

  • Biopics regionais

  • Mistérios atmosféricos

  • Conteúdos com raiz local, mas com apelo global


A BBC, Netflix e outros players fortalecem esse modelo, aproveitando mercado interno forte com distribuição internacional potencial.

APAC: IP Serializável e Diversidade Cultural


A região APAC se destaca por:

  • Horror/thriller de raiz folclórica

  • Conteúdo emocional e dramático

  • Adaptações de graphic novels e formatos de anime

Conquista da região: mesclar narrativa cultural profunda com exportabilidade.


5. A Mina de Ouro do IP

Segundo a Vitrina AI:

  • Livros dominam >50% dos greenlights

  • TV Formats representam ~40%

  • Games e Podcasts (<10%) operam como test beds de IP antes de investimento pesado


Insight:A indústria não está mais comprando ideias, mas ativos com histórico. Podcasts, videogames e outros formatos funcionam como prova de conceito antes de comprometer capital significativo.

6. Soft Money: Agora Fundação, não Bônus

Uma grande mudança observada em 2025 é a centralidade dos incentivos fiscais e do financiamento público:

  • SODEC (Canadá)

  • Fundos alemães

  • Eurimages

  • Nordisk Film & TV Fund

A mensagem é clara: soft money deixou de ser otimização e virou base de design de projeto.

7. 2026: Capital Existe, Mas Apetite Está Seleto

De acordo com a análise de Vitrina e validada pelo podcast da Peachtree Media Partners, o financiamento se move para:


  1. Lending (dívida estruturada), não equity arriscado

  2. Pre-sales + Tax incentives como colaterais

  3. Completion bond como mitigador de risco

  4. Risco real = timing de monetização


Essa mecânica é diretamente alinhada com o que a Peachtree enfatiza:

O risco não é default, é o tempo que leva para gerar retorno.

8. Implicações Práticas para Todos os Players

Produtores & Estúdios

  • Design do projeto começa no financiamento

  • Incentivos fiscais e pré-vendas entram no pitch, não no fim

  • Gêneros comercialmente comprovados têm vantagem


Investidores & Financiadores

  • O melhor produto hoje é aquele com estrutura sênior e colateral forte

  • Risco de “timing” é prioridade sobre risco de default


Fornecedores (Produção, Pós, VFX)

  • O mix de demanda está migrando para mid/low budget escaláveis

  • A proposta vencedora deve:

    • reduzir custo

    • reduzir risco

    • acelerar entrega

    • garantir previsibilidade

9. A Tese em Uma Frase


2025/26 marca a transição de “Peak TV” para “Pipeline Controlado”: menos volume bruto, mais IP comprovado, mais soft money, mais dívida estruturada, vencem aqueles que dominam eficiência financeira e operacional sem sacrificar apelo comercial.


Aqui um video gerado por AI (NotebookLM) resumindo a matéria do BLOG. Obs..: Pode cometer erros. Considere verificar informações importantes

Fontes:

Luciano Neves Co-founder & VFX Director at CLAN VFX Executive MBA in Business Management for the Digital Era (INSPER)


 
 
 

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